Cadernos de a
COLE

O
Globalizao
e Trabalho
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Ao longo de sua histria, o Brasil tem enfrentado o problema da excluso social que
gerou grande impacto nos sistemas educacionais. Hoje, milhes de brasileiros ainda
no se beneficiam do ingresso e da permanncia na escola, ou seja, no tm acesso a um
sistema de educao que os acolha.
Educao de qualidade  um direito de todos os cidados e dever do Estado; garantir o
exerccio desse direito  um desafio que impe decises inovadoras.
Para enfrentar esse desafio, o Ministrio da Educao criou a Secretaria de Educao
Continuada, Alfabetizao e Diversidade  Secad, cuja tarefa  criar as estruturas necessrias
para formular, implementar, fomentar e avaliar as polticas pblicas voltadas para os grupos
tradicionalmente excludos de seus direitos, como as pessoas com 15 anos ou mais que no
completaram o Ensino Fundamental.
Efetivar o direito  educao dos jovens e dos adultos ultrapassa a ampliao da oferta
de vagas nos sistemas pblicos de ensino.  necessrio que o ensino seja adequado aos que
ingressam na escola ou retornam a ela fora do tempo regular: que ele prime pela qualidade,
valorizando e respeitando as experincias e os conhecimentos dos alunos.
Com esse intuito, a Secad apresenta os Cadernos de EJA: materiais pedaggicos para o
1. e o 2. segmentos do ensino fundamental de jovens e adultos. Trabalho ser o tema da
abordagem dos cadernos, pela importncia que tem no cotidiano dos alunos.
A coleo  composta de 27 cadernos: 13 para o aluno, 13 para o professor e um com
a concepo metodolgica e pedaggica do material. O caderno do aluno  uma coletnea
de textos de diferentes gneros e diversas fontes; o do professor  um catlogo de atividades,
com sugestes para o trabalho com esses textos.
A Secad no espera que este material seja o nico utilizado nas salas de aula. Ao contrrio,
com ele busca ampliar o rol do que pode ser selecionado pelo educador, incentivando
a articulao e a integrao das diversas reas do conhecimento.
Bom trabalho!
Secretaria de Educao Continuada,
Alfabetizao e Diversidade  Secad/MEC
Apresentao
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Sumrio
TEXTO Subtema
1. Parabolicamar Religies e costumes 6
2. A carta de Pro Vaz de Caminha A luta dos negros 8
3. A globalizao como perversidade Diversidades regionais 12
4. Trabalhadores sindicalizados nos EUA Maturidade social 14
5. A globalizao da lngua Miscigenao 15
6. Samba do approach Crtica social 19
7. El mapa del espaol Trabalhadores 20
8. Os chineses na OMC Cultura suburbana 21
9. Meu corao em Faluja a luta dos negros 25
10. A era da incerteza Ambiente de trabalho 27
11. Gastos mundiais com a guerra Identidade nacional 29
12. O abismo que separa os fruns social e econmico Ambiente de trabalho30
13. Um outro mundo  possvel ndios do Brasil 32
14. Entenda a deciso da BolviaImigrao e culinria 34
15. Illegal in Miami Direitos civis 36
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16. Um dia sem imigrantes Origens dos trabalhadores 38
17. A logstica cria o produto mundialndios do Brasil 39
18. A integrao norte-americana 40
19. Metade da Amrica do Sul j est ligada ao bloco Olhos da alma 42
20. Aldeia global Arte culinria 45
21. Prximos e distantesArte culinria 46
22. OIT afirma que h cada vez mais escravos da globalizaoArte culinria47
23. As mos invisveis do mercado Arte culinria 48
24. Escravos urbanos Arte culinria 49
25. Empregabilidade, globalizao e futuro profissionalArte culinria 50
26. A nova ordem mundial 54
27. Na mdia, ou Bill Gates no restaurante 55
28. Bulhufas 57
29. Os caminhos do Novo Mundo 60
30. Flagelos humanos 61
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 Globalizao e Trabalho 6
Interao de culturas
TEXTO 1
PARABOLICAMAR
Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo  muito grande
Porque Terra  pequena
Do tamanho da antena parabolicamar
, volta do mundo, camar
, , mundo d volta, camar
Antes longe era distante
Perto, s quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje l trs dos montes, den de casa, camar
, volta do mundo, camar
, , mundo d volta, camar
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnao
Msica e letra de Gilberto Gil, 1991
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Globalizao e Trabalho  7
Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
, volta do mundo, camar
, , mundo d volta, camar
Esse tempo nunca passa
No  de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaa
Nem t preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camar
, volta do mundo, camar
, , mundo d volta, camar
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnao
De avio, o tempo de uma saudade
Esse tempo no tem rdea
Vem nas asas do vento
O momento da tragdia
Chico, Ferreira e Bento
S souberam na hora do destino apresentar
, volta do mundo, camar
, , mundo d volta, camar
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Interao de culturas
TEXTO 2
Caravelas no Porto de Lisboa, gravura de livro de Hans Staden.
Acervo Iconografia
 Globalizao e Trabalho 8
A CARTA DE
PRO VAZ DE CAMINHA
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A partida de Belm foi, como Vossa
Alteza sabe, segunda-feira, 9 de maro.
Globalizao e Trabalho  9
(...)
E dali avistamos homens que andavam
pela praia, uns sete ou oito, segundo
disseram os navios pequenos que
chegavam primeiro. Pardos, nus, sem
coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.
Traziam arcos
nas mos, e suas setas.
Vinham todos rijamente
em direo ao batel.
E Nicolau Coelho lhes
fez sinal que pousassem
os arcos. E eles os
depuseram. Mas no
pde deles haver fala
nem entendimento que
aproveitasse, por o mar
quebrar na costa.
(...)
O Capito, quando eles vieram, estava
sentado em uma cadeira, aos ps
uma alcatifa por estrado; e bem vestido,
com um colar de ouro, mui grande,
ao pescoo. E Sancho de Tovar, e
Simo de Miranda, e Nicolau Coelho,
e Aires Corra, e ns outros que aqui
na nau com ele amos, sentados no
cho, nessa alcatifa. Acenderam-se
tochas. E eles entraram. Mas nem
sinal de cortesia fizeram, nem de querer
falar ao Capito; nem a algum.
Todavia um deles fitou
o colar do Capito,
e comeou a fazer
acenos com a mo em
direo  terra, e depois
para o colar, como
se quisesse dizer-nos que
havia ouro na terra. E
tambm olhou para um
castial de prata e assim
mesmo acenava para
a terra e novamente
para o castial, como
se l tambm houvesse prata!
Mostraram-lhes um papagaio pardo
que o Capito traz consigo; tomaram-
no logo na mo e acenaram para
a terra, como se os houvesse ali.
Mostraram-lhes um carneiro; no
fizeram caso dele.
Nau portuguesa do sculo 14,
gravura de livro de Hans Staden.
Acervo Iconografia
 
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 Globalizao e Trabalho 10
Texto 2 / Interao de culturas
Nau portuguesa
do sculo 14,
gravura de livro
de Hans Staden.
Acervo Iconografia
Mostraram-lhes uma galinha; quase
tiveram medo dela, e no lhe queriam
pr a mo. Depois lhe pegaram,
mas como espantados.
Deram-lhes ali de comer: po e
peixe cozido, confeitos, fartes, mel, figos
passados. No quiseram comer daquilo
quase nada; e se provavam alguma
coisa, logo o lanavam fora.
Trouxeram-lhes vinho em uma taa;
mal puseram a boca; no gostaram
dele nada, nem quiseram mais.
Trouxeram-lhes gua em uma abarrada,
provaram cada um o seu bochecho,
mas no beberam; apenas lavaram
as bocas e lanaram-na fora.
Viu um deles umas contas de rosrio,
brancas, fez sinal que lhes dessem,
e folgou muito com elas, e lanou-as ao
pescoo; e depois tirou-as e meteu-as
em volta do brao, e acenava para a terra
e novamente para o colar do Capito,
como se dariam ouro por aquilo.
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Isto tomvamos ns nesse sentido,
por assim o desejarmos! Mas se ele queria
dizer que levaria as contas e mais o
colar, isto no queramos ns entender,
porque lho no havamos de dar.
(...)
Andariam na praia, quando samos,
oito ou dez deles; e de a a pouco
comearam a vir mais. E parece-me
que viriam este dia  praia quatrocentos
ou quatrocentos e cinqenta. Alguns
deles traziam arcos e setas; e deram
tudo em troca de carapuas e por
qualquer coisa que lhes davam. Comiam
conosco do que lhes dvamos, e
alguns deles bebiam vinho, ao passo
que outros o no podiam beber. Mas
quer-me parecer que, se os acostumarem,
o ho de beber de boa vontade!
Contudo, o melhor fruto que dela
se pode tirar parece-me que ser salvar
esta gente. E esta deve ser a principal
semente que Vossa Alteza em ela deve
lanar. E que no houvesse mais do que
ter Vossa Alteza aqui esta pousada para
essa navegao de Calicute (isso) bastava.
Quanto mais, disposio para se
nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza
tanto deseja, a saber, acrescentamento
da nossa f!
(...)
Beijo as mos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha
de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro
dia de maio de 1500.
Pro Vaz de Caminha
Extrado de www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html
Pro Vaz de Caminha foi nomeado, em 1500,
como escrivo da feitoria a ser erguida em
Calicute, na ndia, razo pela qual se encontrava
na nau capitnia da armada de Pedro
lvares Cabral. No ms de abril, do mesmo
ano, quando esta aportou no Brasil, Pro
eternizou-se como o autor da carta, datada
de 1. de maio de 1500, ao soberano.
Globalizao e Trabalho  11
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A GLOBALIZAO COMO PERVERSIDADE
Contrastes da globalizao
TEXTO 3
Foto: Nilton Fukuda / AE
 Globalizao e Trabalho 12
O muro entre prdios caros do bairro Morumbi e os barracos da favela Paraispolis,
em So Paulo, ao mesmo tempo separa e aproxima dois mundos bem
distintos, mas cada vez mais interdependentes.
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A viso de Carlos Lessa*
(...) A outra forma de fazer a globalizao
 a partir dos pases, e  para essa
forma que j estamos marchando. Porque
o perodo histrico atual est morrendo.
Esse perodo da globalizao est morrendo.
Ento, o que ns vamos ter  uma outra
globalizao produzida a partir dos
territrios, de suas culturas, das aspiraes
do que Carlos Lessa chamou (...) de
povo. E que eu preferiria chamar de pobres,
porque so os que tm fora real
hoje, do ponto de vista da criatividade, e
no ns. Ento, h essas duas coisas.
(...) Essa nova forma de organizao
da Federao partiria dos de baixo,
dos excludos pelo processo da globalizao.
Quem se comunica pela Internet
no so os de baixo. Essa comunicao
distante no  prpria deles. Os lugares
so feitos, sobretudo, pelos de baixo, so
eles que se comunicam nos lugares, so
eles que esto reclamando alimentao
correta, sade, educao para os filhos,
lazer, informao e consumo poltico 
que  uma reclamao tambm no muito
clara, mas que vai aparecer daqui a pouco,
a partir de uma base local.
* Carlos Lessa  economista e foi presidente do BNDES  Banco Nacional
de Desenvolvimento Econmico e Social.
Texto adaptado por Pgina Viva de entrevista com
o professor Milton Santos para www.educacaopublica.rj.gov.br/
biblioteca/geografia/geo23b.htm (acesso em 15 de maio de 2006).
Conseqncias indesejveis da
uniformizao do planeta
(...) de fato, para a maior parte da
humanidade, a globalizao est se impondo
como uma fbrica de perversidades.
O desemprego crescente torna-se
crnico. A pobreza aumenta e as classes
mdias perdem em qualidade de
vida. O salrio mdio tende a baixar. A
fome e o desabrigo se generalizam em
todos os continentes. Novas enfermidades
como a Aids se instalam e velhas
doenas, supostamente extirpadas, fazem
seu retorno triunfal. A mortalidade
infantil permanece a despeito dos progressos
mdicos e da informao. A
educao de qualidade  cada vez mais
inacessvel. Alastram-se e aprofundamse
males espirituais e morais, como os
egosmos, os cinismos, a corrupo.
Texto adaptado por Pgina Viva de Por uma Outra Globalizao
 Do Pensamento nico  Conscincia Universal, de Milton
Santos. Ed. Record/2000, pgs. 19-20.
Globalizao e Trabalho  13
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EUA (por hora) Japo (por pessoa) Alemanha (por pessoa)
1960-1973 1973-1979 1979-1990 1990-2000
5,40
2,50
1,00 0,95
7,70
2,80
1,60
0,50
2,80
0,30 0,40
1,10
 Globalizao e Trabalho 14
TRABALHADORES
SINDICALIZADOS
NOS EUA
Mudanas no mercado de trabalho
TEXTO 4
Proporo da mo-de-obra sindicalizada do setor privado
da economia americana, 1950-2000
1952 1956 1960 1964 1968 1972 1976 1980 1984 1988 1992 1996 2000
40%
32%
24%
26%
8%
0
Nas ltimas dcadas, o mundo observou
uma reduo do nmero de trabalhadores
sindicalizados, especialmente
nos pases industrializados. Nos Estados Unidos,
a queda  evidente, conforme se observa
no grfico abaixo. Ao mesmo tempo em que
os sindicatos perdem representatividade, os
nveis salariais despencam, pois os trabalhadores
ficam fragilizados na defesa de seus direitos
antigos e na conquista de novos.
Texto adaptado por Pgina Viva
Extrado do livro O Boom e a Bolha, de Robert Brenner, Ed. Record.
Crescimento dos salrios (variao anual mdia percentual)
Arte: A+
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John Naisbitt, festejado consultor de Cambridge,
em seu Paradoxo Global, dedica
um captulo inteiro  questo do idioma,
demonstrando como, ao mesmo tempo
em que o ingls se torna instrumento de
dominao econmica e cultural sobre o
planeta, povos e naes adotam a defesa do
idioma como instrumento de resistncia
contra a globalizao asfixiante e empobrecedora.
Vale a pena transcrever o trecho no
qual ele fala da Islndia:
Alguns vo bastante longe na defesa
de seu idioma. Ningum vai mais longe do
que o povo da Islndia. Todo islands fala
o ingls como o segundo idioma e a maioria
tambm fala outros idiomas. Contudo,
Globalizao e Trabalho  15
Interao entre culturas
TEXTO 5
L  N G U A L  N G U A
A GLOBALIZAO
da
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N
ISLNDIA
GRIMSEY
HEIMAEY
SURTSEY
Estreito da
Dinamarca
Estreito da
Dinamarca
Breioafjrour Breioafjrour
Faxafli Faxafli
Oceano
Atlntico
Oceano
Atlntico
Reykjavk
0 48
km
 Globalizao e Trabalho 16
Texto 5 / Interao entre culturas
eles protegem ferrenhamente a pureza do
idioma islands. Caso surja uma palavra
nova, como software ou nanossegundo,
um comit decide que palavras e sons
islandeses devem ser reunidos para representar
o objeto novo ou a idia nova. Inexistem
sons no-islandeses no idioma desse
povo.  digno de meno que a Islndia
possui, tambm, o mais antigo governo
democrtico do mundo e a taxa de alfabetizao
mais elevada.
Em qualquer idioma, as palavras nascem,
morrem, mudam de sentido, renem-se e
separam-se em locues, so substitudas,
cortadas, ampliadas. A lngua acompanha a
economia, a cincia, a organizao da sociedade,
os costumes, a poltica, os movimentos
sociais, as revolues. A Revoluo
Francesa forjou termos como jacobino e
restaurante, entre outros. As transformaes
que imps ao mundo foram acompanhadas
pelas palavras que lhes deram existncia.
Como o mundo e todas as coisas, os
idiomas esto em permanente mudana. 
s atentar no passado para perceber que da
presena muulmana na antiga Lusitnia
herdamos centenas de palavras, como arroz,
acar, azeite, alfndega, almirante,
refm e Oxal. Dos germnicos, mais um
tanto de palavras, e ainda dos franceses,
ingleses, italianos, chineses, sem esquecer
dos indgenas e africanos. Defender o idioma
no  imuniz-lo dos emprstimos e
incorporaes necessrios  sua renovao.
Mas , ao mesmo tempo, cuidar de sua permanncia
e continuidade. A lngua portuguesa
padece atualmente do excesso de
estrangeirismo e do relaxamento das normas
para incluso de palavras e expresses
no vocabulrio nacional.  hora de abandonar
o protesto silencioso e erguer o movimento
nacional para exaltao e defesa do
idioma.
Trecho extrado do texto de Aldo Rebelo publicado na revista Teoria e
Debate, ano 14, n. 48 jun./jul./ago., 2001, pgs. 68 a 70, edio
Fundao Perseu Abramo, So Paulo.
Infografe
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Globalizao e Trabalho  17
Foto: Tasso Marcelo / AE
Preservao cultural
De acordo com o artigo 210 da Constituio Brasileira
promulgada em 1988, alm de reafirmar a
imposio do ensino da lngua portuguesa aos indgenas,
lhes assegura o direito de utilizar nas escolas
as suas lnguas maternas e processos prprios
de aprendizagem.
Assim, a Unio deve desenvolver programas de ensino
e pesquisa para oferecer educao escolar e
intercultural em ambas as lnguas, com o objetivo
de lhes proporcionar a recuperao de suas memrias
histricas, a reafirmao de suas identidades
tnicas e a valorizao de suas lnguas e conhecimentos
tradicionais.
2.500 lnguas indgenas correm risco de extino
ndio catucina Alberto Rosa da Silva, "Tamkay",
de 30 anos, professor da escola de sua
aldeia, no Acre.
O Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente alerta:
mais de 2.500 lnguas indgenas que contm informao vital
sobre a natureza correm o risco de se extinguir imediatamente
NAIRBI - Aproximadamente 2.500 lnguas indgenas
esto em perigo de extino imediata, alertam as
pesquisas divulgadas pelo Programa das Naes
Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA. Das quase
7.000 lnguas existentes no planeta, entre 4.000 e
5.000 esto classificadas como indgenas. O maior
nmero de idiomas  falado em Papua Nova Guin,
onde se distinguem 847 lnguas diferentes. A seguir
vm Indonsia, com 655, Nigria, 376, ndia, 309,
Austrlia, 261, Mxico, 230, Camares, 201, Brasil,
185, e Zaire, com 158. Os idiomas mais ameaados
so os falados por menos de mil habitantes. Mais de
mil lnguas so faladas por entre 101 e mil pessoas.
Outras 553 so faladas por apenas cem pessoas ou
menos. De acordo com o estudo, 231 lnguas j morreram.
Alguns observadores calculam que nos prximos
cem anos 90% dos idiomas do mundo tero se
extinguido ou estaro por se extinguir. A perda de
uma lngua e de seu contexto cultural representa a
queima de um livro de consulta nico do mundo natural,
segundo o PNUMA.
Trecho adaptado de www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/
ult306u2441.shtml
Texto editado e adaptado por Pgina Viva do site
http://comciencia.br/reportagens
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Eversngue is gnna bi ourite!
 Globalizao e Trabalho 18
Agora, que finalmente assumi um ministrio,
terei um jbi importante e inadivel a
concretizar: acabar com os estrangeirismos
no governo e no Brasil, de um modo geral.
Parecer ter virado uma comditi essa
histria de falar e escrever as coisas como se
fssemos gringos. Isso aqui  uma nao, no
um chpim center. H que colocar o idioma
nacional num nosocmio, ou ele perecer.
Para tanto, influenciarei meus colegas
ministros e, bi de ui, o presidente. Cheguei
mesmo a mencionar esse fato, no prquingue
do Alvorada, para o Z Dirceu.
Sei que passarei vrios dias e nites na
maior vibe  comendo fsti-fude, despachando
documentos atravs de moto-rapazes,
escrevendo no lpi-tpi, mas mudarei o
rrdi-disque deste pas!
Pretendo fazer um marqueting puer. J
tenho at um brfingue pronto. Contactarei,
alm do Duda, o ministro da Cultura e lhe
pedirei um rlpi de ppi-estrs.
Outrossim, criaremos (com os melhores
ube-disineres do pas) um stio de milhes
de megabites na Grande Rede Mundial
com informaes on-line.
Ali, dados sobre os efeitos nefastos do
estrangeirismo em nosso portugus podero
ser retirados via dunloude da romepige.
Tudo dever ser rapidamente printado
pelo internauta, enquanto ele toma um mlque-
chiquezinho.
Os que no forem atingidos pelo stio o
sero atravs dessa poderosa ferramenta tecnolgica
hodierna chamada missivaeletrnica.
Milhes de e-missivas devem ser disparadas
de um crebro eletrnico central.
Enfim, teremos um material com mude
original, na linha do i-bzines, mas socialmente
cul.
Claro que todo esse esforo deve acabar
numa grande rive, comandada por
dijis comprovadamente brasucas, num ambiente
nacionalista-clti.
Na verdade, se o tal jbi for um sucesso,
ele dever mesmo  ser transformado
num sfitiur e exportado, uordiuide, para
todas as naes lusfonas.
 como diz o Gil: Eversngue is gnna
bi ourite!
Fonte P Publicada na revista Caros Amigos n. 83
O escritor e humorista Carlos Castelo Branco,
o Castelo, despeja bile sobre o selvagem ataque
do ingls sobre o idioma ptrio
Texto 5 / Interao entre culturas
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Globalizao e Trabalho  19
Interao entre culturas
TEXTO 6
Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na hora do lunch
eu ando de ferryboat
eu tenho savoir-faire
meu temperamento  light
minha casa  hi-tec
toda hora rola um insight
j fui f do jethro tull
hoje me amarro no Slash
minha vida agora  cool
meu passado  que foi trash
fica ligada no link
que eu vou confessar my love
depois do dcimo drink
s um bom e velho engov
eu tirei o meu green card
e fui pra Miami Beach
posso no ser pop star
mas j sou um noveau riche
eu tenho sex-appeal
saca s meu background
veloz como Damon Hill
tenaz como Fittipaldi
no dispenso um happy end
quero jogar no dream team
de dia um macho man
e de noite um drag queen
SAMBA DO
APPROACH
Foto: Divulgao
(Zeca Baleiro)                      
Compositor e
cantor, maranhense
Zeca Baleiro comps
o satrico Samba
do Approach
em 2003.
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CUBA CUBA
PANAM PANAM EL SALVADOR EL SALVADOR
ESPAA ESPAA EE UU EE UU
MXICO MXICO
GUATEMALA GUATEMALA
HONDURAS HONDURAS
NICARAGUA NICARAGUA
COSTA RICA COSTA RICA
REP. DOMINICANA REP. DOMINICANA
PUERTO RICO PUERTO RICO
ARGENTINA ARGENTINA
BOLIVIA BOLIVIA
COLOMBIA COLOMBIA
VENEZUELA VENEZUELA
PER PER
CHILE CHILE
ECUADOR ECUADOR
PARAGUAY PARAGUAY
URUGUAY URUGUAY
GUINEA
ECUATORIAL
GUINEA
ECUATORIAL
Lengua oficial
0 1412
km
Oceano Atlntico Oceano Atlntico
Oceano ndico Oceano ndico
Oceano Pacfico Oceano Pacfico
400 millones
de personas hablan
espaol en el mundo
N
 Globalizao e Trabalho 20
Interao entre culturas
TEXTO 7
DEL EL MAPA
Infografe
En todo el mundo, alrededor de 400
millones de personas hablan espaol.
Es la cuarta lengua en nmero de
hablantes y la segunda como lengua de
comunicacin internacional. Se habla
espaol en cuatro continentes y es lengua
oficial en 21 pases: Argentina, Bolivia,
Chile, Colombia, Costa Rica, Cuba, Ecuador,
El Salvador, Espaa, Guatemala, Guinea
Ecuatorial, Honduras, Nicaragua, Mxico,
Panam, Paraguay, Per, Puerto Rico,
Repblica Dominicana, Uruguay, Venezuela.
Muchos extranjeros tambin hablan
espaol por diferentes motivos: estudios,
trabajo, o porque viven en un pas de habla
hispana.
Texto produzido por Pgina Viva
ESPAOL
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Globalizao e Trabalho  21
OS CHINESES
naOMC
Comrcio internacional
TEXTO 8
Estive na China.
Queria ver de perto como
 o trabalho l. Afinal, o pas
vai entrar na OMC, que,
indiretamente, exercer
presses no campo
trabalhista.
A China consegue
produzir a preos
inacreditveis. Para os chineses,
uma camisa custa o equivalente
a 1 dlar; uma cala, 3 dlares;
meio quilo de carne, 1 dlar;
um quilo de arroz, 0,25;
1 litro de gasolina,
0,40.
8CA02T19P4.qxd 13.12.06 00:38 Page 21
Comprei em Pequim uma seda maravilhosa
e, na prpria loja, mandei fazer
um palet esporte, que foi entregue
no dia seguinte, com excelente acabamento,
por cerca de 57 dlares  incluindo
fazenda e feitio! Achei um bom negcio at
chegar em Xangai, onde, longe dos turistas,
podia ter pago 35 dlares. A China tem preos
imbatveis.
Fiz questo de visitar a oficina do
alfaiate: era uma salinha, longe da loja,
onde duas mocinhas, funcionrias pblicas,
trabalham  noite, para reforar a renda.
Milhes de chinesas fazem a mesma coisa.
 duro competir com esse sistema.
A populao economicamente ativa 
de quase 700 milhes de pessoas  450 milhes
no campo (onde no h dados fidedignos),
e o restante nas cidades.
Na China urbana, o trabalho  exercido
em rgos do governo, empresas estatais,
Foto: Jakob Montrasio-Fan
Para compreender o
trabalho na China, cheguei
com uma enorme lista de
perguntas. Sa com outra maior.
A realidade  complexa.
A abertura da economia, apesar
do tempero chins, est
mudando o trabalho.
Texto 8 / Comrcio internacional
 Globalizao e Trabalho 22
8CA02T19P4.qxd 21.01.07 14:28 Page 22
Globalizao e Trabalho  23
firmas coletivas, joint-ventures, companhias
estrangeiras, empresas familiares e atividade
autnoma.  uma teia de relaes complexas,
bem diferente da homogeneidade
dos tempos de Mao, quando todos os chineses
eram empregados do Estado.
Hoje h uma mistura indecifrvel. A
legislao trabalhista foi reformada em
1994. Tem uma feio moderna. O trabalho
infantil  crime; a jornada de trabalho  de
oito horas por dia e quarenta por semana;
os sindicatos, alm de negociarem com as
empresas, denunciam os administradores
que violam a lei. O salrio mnimo  fixado
por localidades. Em Pequim  cerca de 30
dlares por ms; em Xangai, 32 dlares; em
Guangzhou, 45 dlares.
No setor pblico, nas joint-ventures e nas
empresas estrangeiras, a lei  seguida  risca.
Ali, alm do salrio, os empregados recebem
vrios benefcios.
Mas, ao lado disso, h cerca de 60 milhes
de pessoas que, anualmente, saem do
campo para as cidades, onde passam a trabalhar
doze, catorze e at dezesseis horas
por dia, na informalidade, em empresas
familiares ou como autnomos. Como
ningum pode mudar sem ter um emprego
garantido no local de destino, essas
multides se acomodam ilegalmente nos
subrbios, e pedalam suas bicicletas, todos
os dias, at os locais de trabalho, nas
reas mais centrais.  uma imensido
incalculvel.
Para complicar o quadro, muitos chineses
trabalham uma parte do tempo no
mercado formal, e outra no mercado informal,
como as costureiras do meu palet.
A estabilidade de emprego comea a
acabar. As decises centralizadas do comunismo
inicial esto sendo substitudas por
aes dos administradores das empresas,
que passaram a levar em conta o desempenho
dos funcionrios e do empreendimento.
Milhes de chefes e subordinados
fazem cursos de atualizao; os concursos
passaram a ser condio para recrutar, premiar
e promover os funcionrios mais produtivos.
H uma febre de racionalidade no
uso do fator trabalho.
Desde que o regime comunista decidiu abrir a China para investimentos estrangeiros,
em 1978, o pas se tornou uma das economias que mais crescem no
mundo, alm de estar entre as dez maiores. Mas, com as taxas de crescimento
em cerca de 9%, alguns analistas alertam para um superaquecimento e para o
fato de que o resto do mundo pode sofrer o impacto de possvel recesso no
pas. Nos ltimos anos, a China tambm se tornou um gigante do comrcio,
conquistando o quinto lugar em exportaes. O boom econmico, no entanto,
trouxe ao pas problemas sociais e ambientais.
8CA02T19P4.qxd 13.12.06 00:38 Page 23
Os chineses so muito adaptveis, e
trabalham com muito afinco. O respeito 
hierarquia  total. Os conflitos so raros. A
educao garante a aprendizagem das
novas tecnologias. Trabalho barato, disciplinado
e de boa qualidade tem sido o
ponto de atrao das 60.000 empresas
estrangeiras que esto na China.
A economia chinesa  dinmica, vibrante
e animada. O pas esbanja otimismo.
Nos ltimos vinte anos, a China cresceu
9%, em mdia. Este ano crescer 8%.
O comrcio internacional (exportaes e
importaes)  da ordem de 350 bilhes de
dlares. O pas est investindo 365 bi-lhes
de dlares em infra-estrutura. As grandes
cidades so modernas e atraentes. Contamse
aos milhares os prdios com mais de cinqenta
andares. No interior, o investimento
nas pequenas cidades  macio,  espera
dos camponeses que sero eliminados pela
crescente pobreza do solo e pela entrada
das tecnologias agrcolas.
O problema que mais atormenta os chineses
 a perspectiva de faltar comida para
alimentar 1,3 bilho de habitantes. Eles
no escondem a inveja que tm da abundncia
de terra frtil, sol e gua, que
podem tornar o Brasil o celeiro do mundo.
Afinal, a China ter de importar cerca de
300 milhes de toneladas de alimentos no
ano 2010. Que oportunidade para o Brasil!
Voltando  questo do trabalho, quando
perguntei o que faro os chineses, diante
de exigncias internacionais para, pelo
menos, respeitarem os direitos humanos no
campo trabalhista, eles disseram ser esse
um problema domstico, e que, do Ocidente,
desejam importar bens e servios, e
no valores sociais ou filosofia de vida!
Foi um choque. Conclu que os chineses
na OMC vo esquentar ainda mais a guerra
comercial atual.

 OMC  Organizao Mundial do Comrcio.
 Joint-ventures  Empresas fundadas por outras
duas, j existentes, com o objetivo de realizar um
empreendimento que individualmente no seria
possvel.
 Mao Ts-tung (1893-1976)  dirigente revolucionrio
comunista, proclamado presidente da Nova
Repblica Popular da China em 1949. Tem o mrito
de haver transformado a China, de pas subserviente
aos estrangeiros, numa das maiores potncias
do mundo.
Templo em Po-lin, China.
Os anos de comunismo
no apagaram a devoo
ao Buda.
Foto: David Wilmot
Jos Pastore  socilogo especializado em relaes do trabalho e
desenvolvimento institucional. Site: http://www.josepastore.com.br/
artigos/relacoestrabalhistas/119.htm
 Globalizao e Trabalho 24
Perfil da organizao
8CA02T19P4.qxd 13.12.06 00:38 Page 24
Meu corao est em Faluja. Est com os homens,
mulheres, crianas, idosos, que resistem, bombardeados,
cercados pelas tropas invasoras do seu pas.
Meu corao est com os que defendem em Faluja suas
mesquitas, suas casas, suas praas, suas plantaes, suas
escolas, sua cidade.
Meu corao est com os que choram, gritam, se desesperam,
em Faluja.
Meu corao est em Faluja, onde iraquianos defendem
desesperadamente seu direito de viver na sua cidade, no
seu pas, em paz, decidindo pelo futuro que desejem.
Meu corao est em Faluja, contra os adultos brancos
que elegeram Bush, para tentar exterminar a identidade
dos iraquianos, aniquilar sua memria e sua capacidade de
auto-estima.
Meu corao est em Faluja, como j esteve no Vietn,
como j esteve na Arglia, como j esteve em Bagd, meu
corao com os bombardeados, com os humilhados, com
os ofendidos, com os discriminados, em Faluja.
Globalizao e Trabalho  25
MEU CORAO EM FALUJA
Presena militar norte-americana
TEXTO 9
Emir Sader
9CA02T22P4.qxd 21.01.07 14:31 Page 25
 Globalizao e Trabalho 26
Meu corao, nessas noites em que as luzes denunciam
bombas, em que os avies so os portadores do terror, em
que a covardia dos pilotos massacra inocentes, destri coraes
e vidas, meu corao com os que tm medo  noite
em Faluja.
Meu corao de manh em Faluja, com os que se prepararam
para resistir, para morrer, para sobreviver, para
lutar, para poder dormir uma noite mais em suas casas, em
seus quartos, em suas camas, com seus filhos, com seus
netos, com seus pais, com sua mulher, com sua vida.
Meu corao com dio dos agressores, dos assassinos,
dos invasores, dos adultos brancos estadunidenses que pediram
com seus votos que as guias imperiais executem todos
os que julgam que ameaam sua tranqilidade, suas propriedades,
suas bandeiras, seus dios, suas frustraes.
Meu corao com os palestinos, em Ramalah, com os
afegos, com os invadidos, com os ameaados, com os perseguidos,
com os expropriados, com os despossudos, com
os desprotegidos, com os abandonados.
Meu corao em Faluja, nesta e em todas as noites e
dias em que houver coraes que batem pela esperana,
pela solidariedade, pela vida.
Texto publicado na revista Caros Amigos.
Foto: Anja Niedriginhaus / AP/ AE
Fumaa escura ergue-se
das construes da
cidade de Faluja,
no Iraque.
Texto 9 / Presena militar norte-americana
9CA02T22P4.qxd 12/16/06 12:42 PM Page 26
Contrastes da globalizao
TEXTO 10
Renato Pompeu
Aglobalizao  um conceito muito complicado,
mas cujos efeitos atingem todas
as pessoas do mundo. Por exemplo,
se algum, numa rua de comrcio popular
de uma cidade brasileira, compra uma cala
ou blusa de fabricao chinesa, por ser mais
barata do que as nacionais, isso significa
que, alm do lojista ou ambulante, quem
vai lucrar  uma empresa l na China, a
dezenas de milhares de quilmetros do
Brasil. A empresa chinesa  possivelmente
de propriedade americana ou europia, de
modo que o dinheiro dessa simples compra
vai rodar o mundo vrias vezes. As roupas
chinesas so mais baratas fundamentalmente
porque os operrios chineses ganham
muito pouco e, para concorrer com elas, as
firmas brasileiras tm de cortar os salrios e
automatizar a produo, diminuindo os
empregos em nosso pas. Ou mesmo as
fbricas brasileiras tm de se mudar para
pases em que os salrios sejam mais baixos
e os impostos menos pesados do que no
Brasil. Isto  apenas um exemplo de como
a globalizao afeta a todos os habitantes
do planeta.
Globalizao  um termo erudito, isto
, no  usado pelo povo. Vem da palavra
globo, que significa, no que interessa aqui,
globo terrestre, ou seja, o planeta Terra.
Significa que todas as pessoas do mundo
vo tendo suas vidas cada vez mais interli-
A ERA DA INCERTEZA
A globalizao imposta pelos pases ricos s aprofundou,
desde o incio dos anos 1980, o abismo entre ricos e pobres.
Globalizao e Trabalho  27
Viagem Nova York  Londres
Ano Meio de transporte Tempo gasto
1900 Barco 7 dias
1940 Barco 4,5 dias
1950 Avio 18 horas
1990 Avio 3 horas
Fonte: Vesentini, J. W., Sociedade e Espao, Ed. tica, 2003. Fonte: Harvey, D., Condio Ps-Moderna, Ed. Loyola, 1989.
Os veculos e suas velocidades, em km/h
Perodo Tipo Velocidade
1500 - 1850 Carruagens e barcos a vela 16
1850 - 1930 Locomotivas a vapor 100
Barcos a vapor 57
1950 Avies de propulso a hlice 480 - 640
1960 Jatos de passageiros 800 - 1100
10CA02T03P4.qxd 13.12.06 00:51 Page 27
gadas; o que acontece numa determinada
cidade em algum pas, imediatamente tem
repercusses para todas as pessoas de todos
os pases. Isso cria uma incerteza muito
grande, pois cada vez adianta menos tentar
fazer planos: as condies em que os
planos se basearam podem ser drasticamente
alteradas em segundos. Por exemplo,
uma queda na cotao das aes na
Bolsa de Nova York pode levar instantaneamente
 falncia empresas no mundo todo;
um aumento da taxa de juros na Unio
Europia pode fazer aumentar a dvida
externa brasileira, reduzindo ainda mais
nossos recursos para sade e educao.
A globalizao tem duas origens relacionadas
entre si: uma  a crescente interligao
entre as economias de todos os pases,
principalmente por meio dos investimentos
provenientes dos pases mais ricos e que
so aplicados nos pases mais pobres. A
outra origem  a crescente acelerao das
comunicaes. H 150 anos, demorava
quinze dias para uma notcia chegar da
Europa ao Brasil, levada pelos passageiros
dos navios de ento; hoje, qualquer notcia
importante, como o atentado contra as Torres
Gmeas em Nova York em 2001, leva
menos de quinze segundos para sair de seu
ponto de origem e chegar aos quatro cantos
da Terra.
Uma das dimenses da globalizao 
a crescente desigualdade entre as pessoas.
As estatsticas internacionais indicam
que, em 1960, os 20 por cento de pessoas
mais ricas do mundo tinham renda trinta
vezes maior do que os 20 por cento de pessoas
mais pobres; quatro dcadas depois,
por volta do ano 2000, os 20 por cento mais
ricos tinham renda oitenta vezes maior do
que os 20 por cento mais pobres. Em suma,
a era da globalizao  a era da incerteza e
da desigualdade crescentes.
Foto: Jonne Roriz / AE
Fbrica do novo plo
caladista de So Joo
Batista, Santa Catarina,
onde o Sebrae constatou
taxa zero de desemprego.
As confeces
locais trabalham para
marcas internacionais.
28  Globalizao e Trabalho
Renato Pompeu  escritor e jornalista.
10CA02T03P4.qxd 21.01.07 14:40 Page 28
Globalizao e Trabalho  29
GASTOS MUNDIAIS COM A GUERRA
Educao bsica para todo o mundo
Cosmticos nos Estados Unidos
gua e higiene para todo o mundo
Congelados na Europa
Perfumes na Europa e Estados Unidos
Sade e alimentao
Comida para animais domsticos
na Europa e Estados Unidos
Setor de lazer no Japo
Cigarros na Europa
Bebidas alcolicas na Europa
Drogas e narcticos no mundo
Gasto militar no mundo
6
8
9
11
12
13
17
35
50
105
400
839
Prioridades nos gastos mundiais
(em bilhes de dlares)
Extrado da publicao Euromonitor, ONU, Worldwide Research Advisory and Business Intelligence Service.
Depois de um perodo
de estabilidade, que sucedeu
o fim da chamada guerra fria,
os gastos militares mundiais
voltaram a subir e parecem
estar numa escalada sem
fim com a guerra
Os gastos militares mundiais aumentaram
2% em 2001 e chegaram a 839 bilhes
de dlares, que representam
2,6% do produto interno mundial e 137 dlares
por habitante no mundo. As cifras dos gastos
militares cresceram pelo terceiro ano consecutivo
depois de um longo perodo de queda
em conseqncia do fim da guerra fria.
Nos trs ltimos anos foi registrado um
aumento de 7%. Nos prximos anos se prev
um forte crescimento nos gastos militares,
devido ao aumento das verbas do exrcito
que o governo Bush tem solicitado.
Somente no ano de 2002, o gasto militar
aumentou em 7%. No ano de 2001, os
gastos militares aumentaram em todas as
regies do mundo. Os Estados Unidos encabeam
a lista de regies com o maior gasto
militar, seguidos da Europa central e oriental,
sul da sia e Oriente Mdio.
Presena militar norte-americana
TEXTO 11
111213CA02T25P4.qxd 21.01.07 14:37 Page 29
30  Globalizao e Trabalho
Asociedade civil organizada, nos diversos
pases, no final dos anos 90,
iniciou um processo de articulao
mundial para se contrapor ao modelo econmico
e social praticado pelo capitalismo.
O marco dessa resistncia est no grande
protesto realizado em l999, na cidade de
Seattle, EUA, contra decises da Organizao
Mundial do Comrcio (OMC). A partir
da sucederam-se diversas manifestaes e
atos contra o Frum Econmico Mundial,
sediado em Davos, Sua. Esse evento
rene, desde l970, grandes empresrios e
dirigentes econmicos para discutir o
desenvolvimento mundial sob o prisma
capitalista e, por essa razo, tornou-se um
smbolo de protesto da resistncia globalizada.
 nesse contexto que foi criado o
O ABISMO
QUE SEPARA
OS FRUNS
SOCIAL E
ECONMICO
Criado como contraponto ao
Frum Econmico Mundial, o
Frum Social Mundial busca
alternativas  globalizao
econmica vigente
Srgio Leito
Foto: Ricardo Giusti / AE
Manifestaes
durante o
Frum Social
Mundial, em
Porto Alegre.
Uma outra globalizao
TEXTO 12
111213CA02T25P4.qxd 13.12.06 09:37 Page 30
Globalizao e Trabalho  31
Frum Social Mundial, a partir de iniciativas
de organizaes brasileiras. Programado
para ocorrer sempre em um pas do
Terceiro Mundo e no mesmo perodo do
Frum de Davos, tem como objetivo reunir
diversas naes, ativistas e lderes de movimentos
populares em busca de solues,
longe das propostas capitalistas, para os
problemas socioeconmicos do mundo.
O I Frum Social Mundial ocorreu em
Porto Alegre-RS, de 25 a 30 de janeiro de
2001, tendo os seus organizadores o definido
como um espao de debate
democrtico de idias, aprofundamento
de reflexes,
formulao de propostas, troca
de experincias e articulao
de movimentos sociais, redes,
ONGs e outras organizaes.
Na ocasio, o Frum reunido proclamou-se
como um espao permanente de busca e
construo de alternativas para construir
uma globalizao solidria, que respeite
os direitos humanos, bem como os de todos
os cidados e cidads em todas as naes e
o meio ambiente, apoiada em sistemas e
instituies internacionais democrticos a
servio da justia social, da igualdade e da
soberania dos povos.
Desde ento, o Frum Social Mundial
 organizado por um conjunto de oito
organizaes que integram a sua secretaria
tendo sido definido que os encontros
do Frum ocorrero alternadamente no
Brasil e em outros pases que ofeream
condies para sedi-lo. A operacionalizao
das atividades se d a partir da sua
Secretaria Executiva, localizada na cidade
de So Paulo, alm de contar com um
Conselho Internacional, ao que cabe discutir
os seus rumos.
Em 2002 e 2003, o Frum Social Mundial
ocorreu em Porto Alegre, tendo iniciado
a alternncia em 2004, quando foi sediado
pela ndia. Em 2005 volta mais uma vez para
Porto Alegre. No seu primeiro encontro o
Frum conseguiu reunir 20.000
pessoas. Em 2002, 60.000, em
2003, 100.000 e em 2004, 70.000.
Ou seja, no seu segundo ano, o
Frum j estava reunindo o triplo
de participantes do primeiro, num
evento do qual participam personalidades
e organizaes de todo o mundo.
O Frum Social Mundial, com o lema
Um outro mundo  possvel, tem servido
para reanimar o espao de construo das
utopias e alternativas, apagando, com o fim
do socialismo do Leste Europeu e com a
queda da Unio Sovitica, experincias antes
imaginadas com as solues para um
mundo melhor.
O Frum tem
como objetivo
reunir diversas
naes, ativistas
e lderes
Texto de Srgio Leito extrado do Almanaque Brasil Socioambiental
e Instituto Socioambiental, 2004
111213CA02T25P4.qxd 13.12.06 09:37 Page 31
Tirando proveito de uma humanidade
carente de referncias histricas bemsucedidas,
o neoliberalismo deu verniz
de modernidade e espalhou pelo planeta
uma srie de palavras com alto poder de
seduo: globalizao, nova ordem mundial,
aldeia global... No durou muito. Os
muitos mitos erguidos  sombra do advento
neoliberal comearam a perder sua credibilidade
em 1997, com a ecloso da crise
do Sudeste Asitico. Uma onda de choques
abalou os grandes mercados do planeta: a
Rssia, em agosto de l998, e o Brasil, alguns
meses depois. A turbulncia da economia
mundial e suas conseqncias devastadoras
para a maior parte dos seres humanos
acabaram sendo o estopim de uma
das mais surpreendentes reaes po-pulares
de todos os tempos: o movimento
antiglobalizao econmica, que teve um
marco em Seattle, em novembro de 1999.
J no ano seguinte, os protestos ganhavam
as ruas em vrias partes do mundo e iniciavam
articulaes mundiais contras as
polticas neoliberais. Entre elas, a campanha
pela anulao da dvida dos pases
do Terceiro Mundo, por ocasio do chamado
ano jubilar de 2000, a Marcha Mundial
 Globalizao e Trabalho 32
UM OUTRO MUNDO
 POSSVEL O mito da aldeia global esbarra no
direito dos povos  autodeterminao.
Ilustrao: Alcy
Uma outra globalizao
TEXTO 13
111213CA02T25P4.qxd 13.12.06 09:37 Page 32
Globalizao e Trabalho  33
das Mulheres, a campanha contra a desregulao
do comrcio, o questionamento
das polticas do FMI e do Banco Mundial, a
campanha pela segurana alimentar e o
combate  utilizao de organismos geneticamente
modificados  os transgnicos 
na agricultura. Todo esse movimento culminou
com a realizao do 1. Frum Social
Mundial, em Porto Alegre, no ms de
janeiro de 2001. Em menos de dois anos, a
nova ordem mundial e seu mito da aldeia
global estavam dando lugar  utopia que,
de l para c, vem disputando coraes e
mentes nos quatro cantos do mundo: a
idia (sintetizada no slogan do FSM) de que
um outro mundo  possvel..
Antiglobalizao econmica
Consenso que une milhes de pessoas
do mundo todo. Os ativistas do movimento
antiglobalizao econmica vm demonstrando,
em diversos protestos, sua insatisfao
com o neoliberalismo, que s aprofunda
a misria e a excluso social em nosso
planeta. Em 1999, na cidade de Seattle,
EUA, inaugurou-se o estilo rebelde e irreverente
que caracteriza as aes do movimento
antiglobalizao. A idia  tirar o
sono dos representantes do capital financeiro
internacional. Por isso, em todas as
reunies do FMI, do Banco Mundial, do G8
(pases mais ricos do mundo) e de outras
instncias de deciso dos capitalistas, l
est o coro dos descontentes, levando para
as ruas sua indignao e inconformidade
com a espoliao dos mais pobres e com a
destruio do meio ambiente.
Texto adaptado por Pgna Viva de O Mundo das Alternativas, de
Jferson Assuno e Zaira Machado. Veraz 2001. O Papel do FMI e
o processo de desenvolvimento. CNT/Veraz, 2002
Caminhada do movimento das
mulheres do Uruguai pelas ruas
de Porto Alegre, no Frum Social
Mundial, em 2005.
Foto: Gaby de Cicco
111213CA02T25P4.qxd 13.12.06 09:37 Page 33
 Globalizao e Trabalho 34
Foto: Jonne Roriz / AE
Integrao latino-americana
TEXTO 14
ENTENDA A DECISO
DA BOLVIA
Soldados bolivianos guardam a refinaria
da Petrobras em Palmasola, na cidade
de Santa Cruz de la Sierra, Bolvia.
Decreto nacionalizou a
explorao de petrleo e gs
14CA02T24P4.qxd 13.12.06 09:40 Page 34
Em 1. de maio, Dia Internacional do
Trabalho, o presidente da Bolvia,
Evo Morales, assinou um decreto que
nacionalizou a explorao dos hidrocarbonetos,
recursos do subsolo boliviano, como
o petrleo e o gs.
O anncio da promulgao do decreto
foi feito em uma refinaria da Petrobras
que acabara se ser ocupada por homens
das foras armadas bolivianas, assim como
todas as outras instalaes de empresas
internacionais que exploram petrleo
e gs ali.
O decreto determina que o governo
boliviano passa, a partir de agora, a dominar
a explorao de gs e petrleo no
pas, estabelecendo por que preo dever
ser produzido em cada unidade e realizando
a comercializao dessa produo,
por intermdio da estatal de petrleo
YPFB (Yacimientos Petrolferos Fiscales
Bolivianos).
As empresas do setor, em sua grande
maioria estrangeiras, passam ao controle
do Estado boliviano, tambm na figura da
YPFB, que ter 50% mais uma das aes
dessas companhias.
As empresas estrangeiras tero 180
dias para negociar as adaptaes  nova
legislao. Terminado esse prazo, aquelas
que no se enquadrarem tero de deixar
o pas.
Alm disso, o imposto sobre a explorao
de gs, que era de 50%, passa a 82%.
Extrado de www.universia.com.br
Publicado em 05/05/2006  Universia Brasil
O gasoduto BolviaBrasil teve seu marco
inicial na Carta de Intenes sobre o
Processo de Integrao Energtica entre
Bolvia e Brasil (1991) assinada entre a
Petrobras e Yacimientos Petrolferos Fiscales
Bolivianos (YPFB) com participao
do Ministrio de Energia e Hidrocarbonetos
da Bolvia, em La Paz.
Infografe
Globalizao e Trabalho  35
Gasoduto Bolvia-Brasil
14CA02T24P4.qxd 13.12.06 15:41 Page 35
Ivisited a little of Miami, not as a tourist,
interested in the beauty of the city and
the enthusiasm of consumerism. What I
discovered was the underworld of illegal
immigrants. Brazilians and Hispanics searching
frenetically for dollars. My adventure
started one day on the streets of So Paulo,
when I encountered a good friend. He
mentioned that he was living in Miami and
returned to visit his family. We had a
conversation and he invited me to go to
Miami with him. I accepted.
In Miami, I was shocked. A lot of illegal
Brazilian immigrants have two or three
jobs and it is very difficult to sleep and eat
properly, because they are obsessed with
the idea of earning dollars (La Plata, as
the Latinos usually say). The working day
is frequently of 10 hours, Saturdays and
Sundays are not free. The situation makes
these people exhausted and irritated. The
American Dream transforms their lives in
nightmares.
In conversation with Brazilians working in
 Globalizao e Trabalho 36
Many Brazilians try their luck in the called Capital of Latin America. For the ones with
money and a green card the chances are reasonable. But for the ones who go only with
courage, the situation means a lot of work, some money and great loneliness. They also
question themselves: did I do the right thing? We went there to discover.
ILLEGAL IN MIAMI
Migraes
TEXTO 15
Ilustrao: Alcy
15CA02T15P4.qxd 21.01.07 14:42 Page 36
Globalizao e Trabalho  37
Miami, it is normal to listen: In Miami I
have a big TV, surround sound system, etc.
In Brazil, it is impossible. They think
technology can make them happy.
An enormous quantity of money is spent
on phone calls to Brazil. Its impossible to
describe the sensation of depression and
what it is to miss your family and your real
friends. But usually they dont admit this
during the phone calls to Brazil. They want
to show a perfect happy life.
Friendship here is frequently to obtain
advantages. There is no ethics or scruples.
Thats why the Brazilians end up isolated.
The beautiful Brazilian women continue in
Brazil. In general the girls who are in the
U.S. are not very attractive and the first
question they ask you is if you have
a green card. If the answer is NO, the
conversation ends.
In Miami, everybody has a car. It is
possible to obtain one for 2,000 dollars.
The buses are really slow, and the routes
are confusing and badly planned. Sometimes
the bus drivers, the majority African-
Americans, dont stop if you are white.
They dont like the Latinos, because they
are in direct competition with them for the
low-class jobs.
After three months of frustration and
with many debts in dollars on my credit
card, I decided to return to Brazil. I imagined
that if I continued there I would end up
becoming extremely materialistic as the
majority of illegal workers. Brazil is a
difficult place to live in, but I prefer to continue
here with my family and my friends.
Trecho extrado da revista Speak Up, edio 155
GLOSSARY
As. como
Underworld. submundo
Searching. procurando
Earning. receber/ ganhar (salrio)
Free. livre
American Dream. Sonho americano
( uma expresso muito utilizada para
falar do sonho de obter uma casa
prpria, de trabalhar e enriquecer,
de obter fartura)
Nightmare. pesadelo
To make. fazer
Happy. feliz
Spent. gasto
To miss. sentir falta/ ter saudade
To show. mostrar
Friendship. amizade
To end up. terminar
First. primeiro(a)
Green card. documento que permite um
estrangeiro viver legalmente nos EUA
Slow. devagar
Low-class. classe baixa (pobre)
Here. aqui
15CA02T15P4.qxd 13.12.06 20:58 Page 37
Foto: Araceli Arroyo
Manifestao de imigrantes nos Estados Unidos.
Frase pichada num muro de Amsterd, Holanda.
Centenas de pessoas participam de uma marcha
em Allentown, Pensilvnia. Imigrantes ilegais e
seus aliados se concentraram para participar de
passeatas, missas e manifestaes em todos os
Estados Unidos, quando realizaro boicotes
econmicos, faltaro ao trabalho e  escola, a fim
de mostrar a importncia que tm para o pas.
(1/5/2006)
UMDIA SEMIMIGRANTES
A viso de Fernando Pessoa
Patriota? No: s portugus.
Nasci portugus como nasci louro e de olhos azuis
Se nasci para falar, tenho que falar uma lngua.
(...)
Falaram-me em homens, em humanidade
mas eu nunca vi homens, nem vi humanidade.
Vi vrios homens assombrosamente diferentes entre si
cada um separado do outro por um espao sem homens.
Nenhum ser humano  ilegal
Extrado dos Poemas Completos de Alberto Caeiro.
 Globalizao e Trabalho 38
Migraes
TEXTO 16
15CA02T15P4.qxd 13.12.06 20:58 Page 38
Globalizao e Trabalho  39
Comrcio internacional
TEXTO 17
Novas formas de relaes internacionais, como a produo industrial no sistema
em que os produtos so montados com peas provenientes de vrios pases,
fizeram da logstica um componente essencial dos sistemas produtivos.
A LOGSTICA CRIA
O PRODUTO MUNDIAL
Foto: Antonio Costa / Gazeta do Povo / AE
Vista do terminal
de continer do Porto
de Paranagu, no Paran
17CA02T16P4.qxd 13.12.06 09:48 Page 39
 Globalizao e Trabalho 40
AAo fim da Segunda
Guerra Mundial,
os Estados
Unidos surgiram como
a principal potncia
econmica do planeta.
Seu territrio no havia
sido afetado pela guerra,
enquanto a Europa,
o Japo e a Unio Sovitica
tinham tido suas
estruturas produtivas
devastadas pelas batalhas
terrestres e pelos bombardeios areos.
Com isso, em meados dos anos 1950,
os Estados Unidos detinham 50 por cento
da produo industrial mundial. Seus artigos,
seus filmes, sua msica popular, passaram
a dominar o mundo. Mas dali por
diante a proporo do poderio americano
passou a se reduzir.
Deixando de lado a Unio Sovitica,
que sempre teve pouca
participao no comrcio
internacional, constituindo-
se numa economia
autrquica, isto
, que procurava ser
auto-suficiente e no
depender de relaes
com o Exterior, as razes
do progressivo declnio
dos Estados Unidos no
comrcio mundial podem
ser buscadas exatamente
na devastao que a Europa e o
Japo tinham sofrido durante a guerra.
Isso porque, com seus parques industriais
destrudos durante os bombardeios,
o Japo e, na Europa, principalmente
a Alemanha tiveram de comear praticamente
do zero, o que levou esses pases a
instalarem fbricas bem mais modernas do
que as que continuavam a funcionar nos
A INTEGRAO
NORTE-AMERICANA
Comrcio internacional
TEXTO 18
Ilustrao: Alcy Estados Unidos, Canad e
Mxico tentam criar mercado comum
Renato Pompeu
18CA02T27P4.qxd 13.12.06 10:03 Page 40
Estados Unidos, no afetadas pela guerra.
Com isso a Europa e o Japo, com
produtos melhores, mais baratos e mais
inovadores, passaram a conquistar fatias
cada vez maiores do mercado mundial,
reduzindo a participao dos Estados
Unidos primeiro a um tero e depois a
menos do que isso; europeus e japoneses
tambm lideraram os investimentos no
Terceiro Mundo, acirrando a concorrncia
com os americanos.
Os Estados Unidos passaram a sofrer de
um dficit comercial crnico, isto , importavam
muito mais do que exportavam. Para
melhorar sua situao, os americanos entraram
em contato com o Canad e o Mxico,
para em 1992 formarem a rea de Livre
Comrcio da Amrica do Norte (ALCAN, ou,
na sigla em ingls, NAFTA), com o fim de
criarem um mercado comum semelhante
ao que j existia na Europa Ocidental. Em
toda a Amrica do Norte, os produtos
americanos, canadenses e mexicanos, passaram
a fluir livremente, sem maiores tarifas
alfandegrias, enquanto os produtos
dos demais pases do mundo, principalmente
da Europa e do Japo, sofriam
impostos de importao mais pesados.
Pauprrimo. extremamente pobre; pobrssimo.
Zona de Livre Comrcio. conjunto dos pases que
organizam entre si a livre circulao das mercadorias
produzidas nos seus territrios sem nenhum pagamento
de taxas para atravessar as fronteiras
Globalizao e Trabalho  41
Outubro de 2003. O secretrio de Comrcio americano Robert Zoellick, na foto
com ministros dos pases centro-americanos  Costa Rica, El Salvador, Guatemala,
Honduras e Nicargua, nas negociaes para trazer esses pases para o mbito do Nafta,
firmado 10 anos antes entre os pases da Amrica do Norte  EUA, Mxico e Canad.
Foto: Luis Galdamez / Reuters / AE
Texto de Renato Pompeu, jornalista e escritor
18CA02T27P4.qxd 21.01.07 15:18 Page 41
Integrao latino-americana
TEXTO 19
OMercosul (em portugus: Mercado
Comum do Sul; em castelhano: Mercado
Comn del Sur, Mercosur)  o
programa de integrao econmica de cinco
pases da Amrica do Sul. Em sua formao
original, o bloco era composto por quatro
pases: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Entretando, em julho de 2006, a Venezuela
aderiu ao bloco. O bloco tambm 
chamado de Cone Sul porque sua formao
original abrangia as naes do sul do continente,
formando um cone.
Reunio dos chefes de Estado dos pases
que integram o Mercosul, em 4 de julho
de 2006. As discusses para a constituio
de um mercado econmico regional para a
Amrica Latina remontam ao tratado que
estabeleceu a Associao Latino-Americana
de Livre Comrcio (ALALC) desde a dcada
de 1960. Esse organismo foi sucedido pela
Associao Latino-Americana de Integrao
METADE
DA AMRICA
DO SUL J
EST LIGADA
AO BLOCO
Venezuela foi o ltimo
pas a aderir plenamente;
Chile e Bolvia ainda so
membros associados
 Globalizao e Trabalho 42
O presidente Lula e demais
presidentes durante foto oficial
da Reunio do Conselho do Mercado
Comum do Sul (Mercosul),
em Montevidu, Uruguai.
Foto: Ed Ferreira / AE
19CA02T28P4.qxd 13.12.06 21:09 Page 42
Globalizao e Trabalho  43
na dcada de 1980.  poca, a Argentina e
o Brasil fizeram progressos na matria, assinando
a Declarao de Iguau (1985), que
estabelecia uma comisso bilateral,  qual
se seguiu uma srie de acordos comerciais
no ano seguinte. O Tratado de Integrao,
Cooperao e Desenvolvimento, assinado
entre ambos os pases em 1988, fixou como
meta o estabelecimento de um mercado
comum, ao qual outros pases latino-americanos
poderiam se unir.
Com a adeso do Paraguai e do Uruguai,
os quatro pases se tornaram signatrios
do Tratado de Assuno (1991), que
estabelecia o Mercado Comum do Sul, uma
aliana comercial visando dinamizar a economia
regional, movimentando entre si
mercadorias, pessoas, fora de trabalho e
capitais.
Inicialmente foi estabelecida uma zona
de livre comrcio, onde os pases signatrios
no tributariam ou restringiriam as
importaes um do outro. A partir de 1. de
janeiro de 1995, essa zona de livre comrcio
converteu-se em uma unio aduaneira,
na qual todos os signatrios poderiam cobrar
as mesmas alquotas nas importaes
dos demais pases (tarifa externa comum).
No ano seguinte, a Bolvia e o Chile adquiriram
o status de membros associados. O
Chile encontra-se em processo de aquisio
do status de membro pleno depois de resolver
alguns problemas territoriais com a
Argentina. Outras naes latino-america-
Oceano
Pacfico
Oceano
Atlntico
Oceano
Atlntico
N
0 553
km
Pases Membros
Pases Associados
Pases no participantes
Ilhas
Falklands
(Malvinas)
PERU
Lima
Bogot
Quito
EQUADOR
COLMBIA
VENEZUELA
Caracas Georgetown
Paramaribo
Caiena
Braslia La Paz
(capital administrativa)
Sucre
(capital
legislativa)
Montevidu Buenos
Aires
Santiago
Assuno
BRASIL
BOLVIA
ARGENTINA
PARAGUAI
CHILE
URUGUAI
GUIANA
SURINAME
GUIANA
FRANCESA
Formao
Tratado de Assuno, assinado em
26 de maro de 1991
rea total
13.000.000 km2 (2. maior)
Populao total (2006)
232,9 milhes (4. mais populoso)
PIB por PPC (total 2006)
U$ 2.284.723.000.000
(4. maior depois do Nafta, UE
e Japo)
Infografe
19CA02T28P4.qxd 13.12.06 21:09 Page 43
Texto 19 / Integrao latino-americana
nas, como a Venezuela, manifestaram interesse
em entrar para o grupo, o que se concretizou
no dia 9 de dezembro de 2005.
As instituies integrantes do Mercosul,
definidas pelo Tratado de Assuno, foram
revistas pelo Protocolo de Ouro Preto, em
1994. Por ele, cada pas-membro tem um
voto e as decises necessitam ser unnimes.
Trs so as instncias decisrias: um conselho
(com funes polticas), um grupo
(com funes executivas) e
uma comisso tcnica.
O Mercosul foi significativamente
enfraquecido pelo
colapso da economia argentina
em 2002. Alguns crticos
acreditam que a negativa de
ajuda do governo Bush quele
pas  poca foi baseada em
um desejo de enfraquecer o
Mercosul, j que, teoricamente,
os EUA percebem a iniciativa desse mercado
como um problema para a sua estratgia
poltico-econmica para a Amrica
Latina. No entanto,  mais provvel que os
Estados Unidos tenham deixado de ajudar
a Argentina uma vez que esse pas latinoamericano
no transmitia confiabilidade
aos mercados internacionais, tendo deixado
de honrar seus compromissos financeiros
em diversas ocasies.
Em 2004 entrou em vigor o Protocolo de
Olivos (2002), que criou o Tribunal Arbitral
Permanente de Reviso do Mercosul, com
sede na cidade de Assuno (Paraguai). Uma
das fontes de insegurana jurdica nesse
bloco de integrao era a falta de um tribunal
permanente.
Nova rodada de negociaes ocorreu a
partir de julho de 2004, entre outros tpicos,
discutindo-se a entrada do Mxico no
grupo. Como resultado, em 8 de dezembro
de 2004, os pases membros
assinaram a Declarao de
Cuzco, que lanou as bases da
Comunidade Sul-Americana
de Naes, entidade que unir
o Mercosul e o Pacto Andino
em uma zona de livre comrcio
continental.
Em dezembro de 2005, a
Venezuela protocolou seu pedido
de adeso ao Mercosul,
e em 4 de julho de 2006 seu ingresso ao
bloco econmico foi formalizado, em
Caracas.
Muitos sul-americanos vem o Mercosul
como uma arma contra a influncia
dos Estados Unidos na regio, tanto na forma
da rea de Livre Comrcio das Amricas
quanto na de tratados bilaterais.
Extrado de www.contestado.com.br/wik/Mercosul
 Globalizao e Trabalho 44
O Mercosul foi
significativamente
enfraquecido pelo
colapso da economia
argentina no ano de
2002. H quem diga
que os EUA queriam
que isso ocorresse.
19CA02T28P4.qxd 13.12.06 21:09 Page 44
Globalizao e Trabalho  45
Contrastes da globalizao
TEXTO 20
ALDEIA GLOBAL Claudius
20CA02T29P4.qxd 13.12.06 10:12 Page 45
 Globalizao e Trabalho 46
Contrastes da globalizao
TEXTO 21
Foto: Griman
Lixo Araruama, RJ, o quadro
que se repete no pas, com lixo,
homens e urubus.
Seo de mostrurio de
aparelhos de televiso da
loja FNAC em Pinheiros,
So Paulo.
PRXIMOS E DISTANTES
Foto: Marcio Fernandes / AE
21CA02T18P4.qxd 21.01.07 14:54 Page 46
Globalizao e Trabalho  47
TEXTO 12
Com a acelerao do desenvolvimento
tecnolgico em todo o mundo, por
causa da globalizao, com sua interpenetrao
das economias nacionais numa
nica totalidade econmica mundial, a
mo-de-obra passou a ser cada vez mais dispensvel.
Reduzindo-se, no s a proporo
de pessoas com empregos, mas tambm os
salrios que os empregados podiam reivindicar.
Quem queria emprego precisava aceitar
salrios cada vez mais baixos, porque
sempre havia quem pedisse menos para
poder ter um trabalho.
No limite, essa situao pode chegar ao
salrio zero ou prximo de zero, ou seja, ao
renascimento do trabalho forado e da escravido
em larga escala e em nova forma. Em
Nova York ou So Paulo, trabalhadores de outros
pases so atrados por empresrios que
prometem enganosamente bons salrios e boas
condies de trabalho e de vida, mas que, quando
chegam ao seu destino, descobrem que trabalham
14 ou 16 horas por dia e dormem no
emprego, ficando confinados sem sarem de l
 e tendo descontados dos salrios, mais fictcios
do que reais, os gastos com a viagem e com
a alimentao e higiene, de modo que os tra
balhadores ficam sempre devendo, em condies
anlogas  da escravido.
Em relatrio de maio de 2005, a Organizao
Internacional do Trabalho calculava
que havia mais de 12 milhes de trabalhadores
escravos, inclusive mulheres e crianas,
principalmente na prostituio. Essa situao
gerava cerca de 30 bilhes de dlares
anuais de lucros para os senhores de escravos
 mas pesquisadores independentes, em estudos
pioneiros no confirmados, calculavam
que os trabalhadores escravos j atingiam a
casa das dezenas de milhes de pessoas.
OIT AFIRMA QUE H CADA VEZ MAIS
Contrastes da globalizao
TEXTO 22
ESCRAVOS
DA GLOBALIZAO
Foto: Clayton de Souza / AE
Bolivianos ilegais fazem fila na Pastoral do Imigrante,
no bairro Glicrio, no centro de So Paulo.
Texto escrito por Renato Pompeu, escritor e jornalista.
22CA02T09P4.qxd 13.12.06 10:27 Page 47
Sugesto de arte:
Trocar esta charge
por uma nova do Alcy
sobre o mesmo tema.
por fora, bela viola
1 agasalho jogging, de marca:
R$ 600,00
2 tnis passeio, de marca:
R$ 400,00
3 tnis atletismo, de marca:
R$ 550,00
 Globalizao e Trabalho 48
Contrastes da globalizao
TEXTO 23
AS MOS INVISVEIS DO MERCADO Alcy
POR DENTRO...
_______________
TRABALHO ESCRAVO, OU
QUASE, PARA PRODUzIR
ESSAS PEAS: NO TEM PREO
23CA02T10P4.qxd 12/16/06 12:48 PM Page 48
Globalizao e Trabalho  49
Uma reportagem publicada na revista
Observatrio Social (na edio 10, de
junho de 2006) revela que uma multinacional
de origem holandesa, com mais
de 100 unidades instaladas no Brasil, se
beneficia do trabalho degradante de imigrantes
na cidade de So Paulo.
Os trabalhadores so trazidos ao Brasil
por intermedirios conhecidos como coiotes,
que ganham dinheiro contrabandeando
gente de um pas para outro. Pelo menos
100.000 bolivianos esto nessa situao na
capital paulista.
Segundo o Ministrio Pblico do Trabalho,
podem chegar a oitenta os fornecedores
suspeitos de usar as malharias
clandestinas para a confeco de roupas.
Centenas de etiquetas com marcas da
multinacional foram encontradas nesses
locais pelas autoridades.
Fonte P www.observatoriosocial.org.br/portal/content/ view/870/89/
ESCRAVOS URBANOS
Relaes de trabalho
TEXTO 24
Costureiras trabalhando em mquinas de costura em uma confeco no bairro do Bom Retiro, So Paulo
Confeces vendem roupas produzidas em malharias clandestinas, que exploram a mo-de-obra de imigrantes irregulares
Foto:
Sebastio Moreira / AE
24CA03TXT16P4.qxd 13.12.06 10:39 Page 49
 Globalizao e Trabalho 50
Lincoln Amaral
Anoo de emprego estava, at poucas
dcadas atrs, associada  de estabilidade,
previsibilidade e certeza. O
empregado ficava dcadas no mesmo emprego,
com garantias como emprego por
tempo definido, frias e fim-de-semana remunerados,
indenizao em caso de demisso
sem justa causa, seguro de sade e aposentadoria.
Com o avano tecnolgico, o emprego
migrou da indstria, que precisava de menos
mo-de-obra, para os servios, formais ou
informais. Nesse novo mercado, no h mais
empregos permanentes e plenos direitos trabalhistas:
ou os trabalhadores so contratados
temporariamente ou trabalham por conta
prpria, com apenas a remunerao pelas
suas tarefas, correndo o risco de ficarem sem
trabalho e sem renda por tempo indefinido.
As empresas estatais so privatizadas, ocorrendo
demisses em massa, e os servios pblicos
so terceirizados, juntando-se a outros
setores em que ocorre a precarizao do
emprego.
Mudanas no mercado de trabalho
TEXTO 25
Uma dvida crucial:  possvel fazer o que se
gosta e ainda assim ter sucesso profissional,
com bom retorno financeiro?
EMPREGABILIDADE,
GLOBALIZAO E
FUTURO PROFISSIONAL
25CA02T20P4.qxd 13.12.06 11:08 Page 50
Globalizao e Trabalho  51
 medida que avana o sculo XXI, as
anlises e previses feitas durante a dcada
de 1980 de que, no ano 2000, o avano tecnolgico
levaria  substituio dos trabalhadores
por mquinas inteligentes nas atividades
que demandavam esforos fsicos, e
que se trabalhariam somente trinta horas
por semana, sendo o restante do tempo destinado
ao lazer, soa como algo duvidoso e
at um paradoxo. Por outro lado, os que
esto sendo demitidos e voltam a trabalhar
passam a receber um salrio em mdia 30%
menor do que o salrio anterior.
O trabalho temporrio, por tempo determinado
e de meio perodo, est aumentando
sua importncia no ndice total de crescimento
dos empregos. Esses tipos de trabalho
envolvem tipicamente salrios mais baixos,
alguns benefcios a menos e menor segurana
que o emprego mais tradicional. Isso, por sua
vez, est levando a uma polarizao da fora
de trabalho: trabalhadores de tempo integral
comparativamente produzem mais resultados,
enquanto trabalhadores com menos segurana
produzem comparativamente menos.
Esse fato traz como resultado vrios pro-
Foto: Oslaim Brito / AE
Na foto, barraca de camel no viaduto do Ch, no centro de So Paulo.
25CA02T20P4.qxd 13.12.06 11:08 Page 51
 Globalizao e Trabalho 52
Texto 25 / Mudanas no mercado de trabalho
blemas sociais. Numa poca em que o governo
est tentando reduzir sua responsabilidade
quanto aos benefcios sociais, como a seguridade
na terceira idade, um segmento cada
vez maior da populao perde acesso aos
tipos de penso privada e aos planos de benefcio
que poderiam tornar os cidados autosuficientes
na aposentadoria.
O surgimento de uma classe de trabalhadores
sub-empregados e mal pagos afeta
indevidamente aqueles que j consideram
suas oportunidades de emprego restritas,
aumentando os problemas de discriminao
por sexo, raa, idade e tambm aos deficientes.
Por outro lado, gera preconceito contra
aqueles que esto organizados, que passam a
ser vistos por alguns como felizardos, beneficirios
da polarizao de empregos. Aqueles
que vivenciam oportunidades desoladoras
de emprego podem desenvolver um ressentimento
perturbador contra os que vivem
uma realidade diferente.
Segundo dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados  CAGED do
Ministrio do Trabalho do Brasil, no setor
formal do mercado de trabalho, onde esto
os trabalhadores protegidos por contratos
de trabalho e pelos estatutos pblicos,
foram eliminados cerca de 2,560 milhes
de empregos, entre janeiro de 1990 e dezembro
de 1997. A gerao de emprego no
setor formal tem uma tendncia declinante
a partir de 1990, explicada, em grande
parte, pela queda do emprego industrial.
Entre 1989 e 1997, o emprego formal como
um todo declinou 8,4%.
Os estudos sobre a questo do mercado
de trabalho evidenciam que nos ltimos anos
ocorreu um aumento no perfil educacional
da mo-de-obra. Entre 1994 e o incio de
1998, a proporo de ocupados com nvel de
Artigos pirateados, como CDs
e aparelhos eletrnicos so
abertamente oferecidos por
camels na rua 25 de Maro,
que tem o comrcio mais
movimentado de So Paulo
25CA02T20P4.qxd 13.12.06 11:08 Page 52
Globalizao e Trabalho  53
escolaridade entre 0 e 4 anos de estudo caiu
de 37% para 29% (queda de 8 pontos percentuais),
enquanto a parcela de trabalhadores
com mais de 9 anos de estudo se
elevou de cerca de 36% para 44% (aumento
de idnticos 8 pontos percentuais).
No Brasil, tambm, por volta da metade
dos excedentes so oriundos da agricultura
e da economia competitiva. As grandes
cidades j esto convivendo com pessoas
que procuram por conta prpria garantir sua
sobrevivncia, principalmente os biscateiros
(profissionais sem definio, que se adaptam
a qualquer atividade), os camels e os
que optam pela prestao de servios em
domiclio (encanador, eletricista, etc.). Alm
do mais, alastra-se o entendimento, por
parte de um segmento populacional de que
 preciso voltar-se para o "faa voc mesmo".
Surgem profisses novas, baseadas nos
servios de alta tecnologia, como o telemarketing
e os servios de suporte de informtica,
computadorizao e robotizao. Com a
alta concentrao de renda, com cada vez
menos pessoas dispondo de cada vez mais
renda, surge um mercado de luxo, atendido,
por exemplo, por cozinheiros de alta
qualificao (os chamados chefes), acompanhantes,
personal trainers, etc. Cresce o
nmero de pessoas que trabalham em casa,
com computadores.
Fotos: Fernando Dall'Acqua
Adaptado de estudo de Maria Ester Menegasso, da Universidade
Federal de Santa Catarina, em www.eps.ufsc.br/teses98/ester/cap3.html
25CA02T20P4.qxd 13.12.06 11:08 Page 53
 Globalizao e Trabalho 54
Concentrao
TEXTO 26
Sugesto de arte:
Trocar esta charge
por uma nova do Alcy
sobre o mesmo tema.
Publicado em http://resistir.info/
A NOVA ORDEM MUNDIAL Angeli
26CA02T21P4.qxd 13.12.06 11:22 Page 54
Globalizao e Trabalho  55
Meu saldo bancrio junto com o do Antnio Ermrio de
Morais seria um dos mais altos do Brasil. O fato de o
Antnio Ermrio ser responsvel por 98,2% do saldo
no afetaria a exatido da frase. Se eu estivesse num restaurante
com outras quinze pessoas e o Bill Gates chegasse para
jantar, a renda mdia dos presentes  a soma da renda de cada
um dividida por dezessete  se multiplicaria automaticamente
e eu estaria matematicamente rico, pelo menos at o Bill Gates
ir embora. Antes de me entusiasmar e gritar Garom, suspende
a Coca Diet e traz um Chteau Petrus2!, no entanto, eu
deveria meditar sobre os perigos do dado mal examinado e da
estatstica enganosa.
Concentrao de renda
TEXTO 27
NA MDIA, OU BILL GATES1
NO RESTAURANTE
Luis Fernando Verissimo,
17 de julho, 2003
27CA02T17P4.qxd 21.01.07 14:56 Page 55
S uma iluso parecida com a que nos tornaria mais ricos
pela simples companhia do Bill Gates explica que, em meio 
revolta generalizada com a reforma da Previdncia  em boa
parte procedente e justa  categorias inteiras se indignem com
a diminuio de tetos de proventos que s afetaria uma minoria,
entre elas os marajs to execrados na retrica desde
que o Collor se elegeu prometendo elimin-los, h catorze
anos. Entre os erros e acertos da sua reforma, o governo pode
muito bem lamentar que, com o tempo, a caa a marajs tenha
perdido seu charme poltico, ou cado de moda. Ganhos altos
imexveis se misturam com a causa legtima de servidores
pblicos que, na maioria, ganham uma misria. Mais uma
prova que, como no caso da reforma agrria, que todos apiam
desde que no seja preciso faz-la, o grande desafio para
quem quer mudar o Brasil  conseguir transformar retrica
em fato.
De certa maneira, o fator Bill Gates no restaurante, ou o
raciocnio pela mdia ilusria,  o que tem mantido a paz
social no Brasil. Entre os grandes produtores rurais que nunca
produziram e ganharam tanto, e as hordas de despossudos
no campo, na mdia esto todos bem. Entre os bancos que
nunca lucraram tanto e o comrcio e a indstria que penam,
na mdia todos progridem. Entre a dcima economia do
mundo e a pior distribuio de renda do mundo, na mdia
no est to ruim assim. Entre os poucos que vivem a doce
vida brasileira e os milhes que padecem da nossa desigualdade
histrica, na mdia somos felizes. Entre uma Blgica e
uma Botsuana, na mdia somos, sei l... um Brasil. E Antnio
Ermrio e eu, na mdia, no temos do que nos queixar.
1 Bill Gates  Dono da Microsoft, considerado o homem mais rico do mundo.
2 Chteau Petrus  Vinho francs da regio de Pomerol de alta qualidade e preo acima da mdia.
Extrado do site www.comciencia.net/2003
 Globalizao e Trabalho 56
Texto 27 / Concentrao de renda
27CA02T17P4.qxd 13.12.06 11:28 Page 56
Interao de culturas
TEXTO 28
Globalizao e Trabalho  57
Jurandir chega mais cedo aquele dia em casa, talvez ainda
pegue Kau acordado.
Em vo.
Ao entrar na sala, a esposa posta o indicador sobre os lbios
pedindo silncio. Jurandir faz um pequeno muxoxo.
Afrouxa a gravata, joga o palet sobre uma cadeira e tira os
sapatos.
Penalizada, a esposa pega a mo de Jurandir e o leva, p
ante p, at o bercinho do filho, que naquela semana completara
duas primaveras.
BULHUFAS
Ilustrao: Alcy
28CA02T4P4.qxd 12/16/06 12:51 PM Page 57
Os dois ficam mirando o rebento rosado ressonando, com
grande orgulho, por algum tempo.
Em seguida, Kau comea a se mexer. Vira-se de um lado
para o outro, aninhando-se. Mas, no meio de um desses movimentos,
abre os olhos e v o pai.
Imediatamente a fisionomia do beb ganha uma alegria
sem par. Ento ele abre um sorriso franco e diz:
 Hi, daddy...
Jurandir lana um olhar esbugalhado para a mulher.
 Marta, ele est falando comigo em...
A esposa completa:
 Sim, meu amor, ele est falando com voc em ingls.
No  uma coisinha?
Kau ento completa a frase:
 ...lets play football in the garden with me?
O casal se abraa, emocionado. Kau insiste:
 Daaaaddy! Come with me, pleaaaase!
So interrompidos pela buzina da perua escolar. Ela traz
Diogo, o mais velho, de 6 anos. Mame deixa Jurandir e Kau
no quarto e vai at o porto receber o outro filho.
Pega-o no colo, enche-o de beijos. Mas o menino vem
cheio de mau humor.
 Oh, mammy, leave me alone! I just want a warm bath
with my toys. Is it possible?
Parece roteiro de filme hollywoodiano. Mas o fenmeno se
alastra por todo o Brasil. So as escolas de educao infantil
com opo bilnge.
Uma montanha de autidres aponta a nova tendncia.
So ursinhos, cachorrinhos, elefantinhos (ou funny bears,
happy dogs and small elephants)  todos mostrando a possibilidade
de falar facilmente o idioma de Shakespeare.
Os argumentos a favor so repetidos  larga. O mundo
globalizado, a necessidade de um idioma comum, a compe-
Texto 28 / Interao de culturas
 Globalizao e Trabalho 58
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titividade cada vez maior no mercado. Ou o batido seu filho
precisa estar preparado para o futuro.
Para ajudar no debate, que tal um parecer no to favorvel
assim?
Pois bem.
Recentemente, uma universidade norte-americana adquiriu
por 69 milhes de dlares o controle acionrio de 61% da
tradicional universidade privada paulista Anhembi-Morumbi.
 o caso de pensar com calma no momento das futuras
matrculas.
Afinal, a happiness do seu filho est diretamente ligada 
freedom do seu pas, isnt it?
Aboboral
 Se o dinheiro  a mola do mundo, o Brasil est com a
suspenso quebrada.
 Algo no vai bem quando se troca as sesses de anlise
pelas de dilise.
 O pas que precisa de um Conselho de tica est roubado.
 Sem querer ser do contra, mas no estava na hora de
botar algum na cadeia?
Texto de Castelo publicado na revista Caros Amigos, n- 110
59 Globalizao e Trabalho 
28CA02T4P4.qxd 12/16/06 12:51 PM Page 59
Os mesmos avanos que propiciaram
a globalizao da economia
facilitaram tambm a migrao entre
pases. O Fundo de Populao das Naes
Unidas (UNFPA) estima que, em
1990, 120 milhes de pessoas viviam fora
do pas natal. No continente americano, o
fenmeno no foi diferente. O nmero de
migrantes dentro da Amrica Latina saltou
de 1,5 milho em 1960 para 11 milhes
em 1990. A Comisso Econmica
para a Amrica Latina e o Caribe (Cepal)
traou o perfil dos movimentos migratrios
na Amrica e comprovou que, cada
vez mais, os americanos se mudam para
pases dentro do prprio continente. O
Brasil  um bom exemplo. O nmero de
estrangeiros que vivem aqui diminui ao
longo dos anos, mas a participao de
americanos (das trs Amricas) na populao
brasileira  crescente.
Trecho extrado do texto de Andra Wolffenbttel, publicado na
revista Desafios do Desenvolvimento  IPEA, edio 15 , 1/10/2005
Migraes
TEXTO 29
 Globalizao e Trabalho 60
OS CAMINHOS
DO NOVO
MUNDO
Andra Wolffenbttel
Amrica Latina
tem 11 milhes
longe de casa
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FLAGELOS
HUMANOS
Mais de 9 milhes
de refugiados se
amontoam em campos
do mundo inteiro:
a metade vem da
frica e da sia
Migraes
TEXTO 30
Globalizao e Trabalho  61
Da esquerda para a direita, refugiados
da Palestina, Sudo, Vietn e Ruanda.
Foto: Farfuglinn Foto: Adele Booysen Foto: Philippe Tarbouriech Foto: Kresta King Cutcher
30CA02T11P4.qxd 13.12.06 11:53 Page 61
* Exceto o norte africano ** Sul, oeste e centro da sia
598.400
AMRICA
Principais pases
de origem dos
refugiados em 2004
Populao refugiada de
acordo com o comit da
ACNUR em 2004
(Alto Comissariado das
Naes Unidas para
refugiados)
XXX
62  Globalizao e Trabalho
Texto 30 / migraes
De acordo com a Conveno sobre o
Estatuto dos Refugiados de 1951, o
refugiado  uma pessoa que, "obedecendo
ao temor devidamente fundado de ser
perseguido por motivos raciais, religiosos,
de nacionalidade, ou de opinio poltica,
pertencente a um grupo social em particular,
encontra-se fora de seu pas de origem,
que no lhe oferece segurana".
A emigrao, isto , a sada de um cidado
do seu lugar de origem com inteno
de viver em outro tambm est condicionada
a outras circunstncias. Consideram-se
refugiados ambientais aquelas pessoas que
se vem obrigadas a ir embora ou porque
lhes  negado o acesso  terra, ou porque a
sua regio  muito abandonada ou porque
o sistema econmico no lhes permite satisfazer
suas necessidades bsicas.
Os pases mais afetados pelas correntes
de migraes foradas so, ao mesmo
tempo, os mais pobres do mundo. As vinte
Famlia palestina
refugiada (acima);
no Sudo, outras
famlias enfrentam
o mesmo drama
(ao lado).
Foto: Farfuglinn Foto: Adele Booysen
OS REFUGIADOS NO MUNDO
30CA02T11P4.qxd 13.12.06 11:53 Page 62
N
0 1412
km
2.084.900
Afeganisto
730.600
Sudo
462.200
Congo
389.300
Somlia
349.800
Vietn
335.500
Libria
311.800
Iraque
485.800
Burundi
485.800
Burundi
350.600
Palestina
250.600
Srvia e Montenegro
1.267.700
frica Central
e grandes lagos
465.100
Oeste africano
245.100
Sul africano
770.50
Leste africano
2.748.400
TOTAL DA FRICA*
9.236.500
TOTAL GERAL
2.317.800
EUROPA
836.700
SIA E PACFICO
2.735.200
SIA**, ORIENTE
MDIO E NORTE
AFRICANO
naes com maior proporo de refugiados
apresentam uma renda per capita em torno
de 700 dlares anuais.
O problema dos refugiados adquiriu tal
magnitude nos anos 1990, que os sistemas
de ajuda internacional e local foram incapazes
de resolver todas as situaes. O
endurecimento de leis sobre admisso de
estrangeiros e concesso de asilo nos pases
mais procurados pelos emigrantes fez
com que ficasse cada vez mais difcil para
os refugiados conseguirem abrigo em outros
pases.
O desafio para o sculo 21 ser, para as
naes, garantir a segurana do indivduo.
Enciclopdia do Mundo Contemporneo, editoras Terceiro Milnio
e Publifolha, 1999.
63 Globalizao e Trabalho 
Fonte: Relatrios de tendncias de refugiados no mundo
de 2004 da UNHCR (Agncia de Refugiados das Naes Unidas)
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Expediente
Comit Gestor do Projeto
Timothy Denis Ireland (Secad  Diretor do Departamento da EJA)
Cludia Veloso Torres Guimares (Secad  Coordenadora Geral da EJA)
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Unitrabalho)  UNESP/Unitrabalho
Diogo Joel Demarco (Unitrabalho)
Coordenao do Projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Coordenador Geral)
Diogo Joel Demarco (Coordenador Executivo)
Luna Kalil (Coordenadora de Produo)
Equipe de Apoio Tcnico
Adan Luca Parisi
Adriana Cristina Schwengber
Andreas Santos de Almeida
Jacqueline Brizida
Kelly Markovic
Solange de Oliveira
Equipe Pedaggica
Cleide Lourdes da Silva Arajo
Douglas Aparecido de Campos
Eunice Rittmeister
Francisco Jos Carvalho Mazzeu
Maria Aparecida Mello
Equipe de Consultores
Ana Maria Roman  SP
Antonia Terra de Calazans Fernandes  PUC-SP
Armando Lrio de Souza  UFPA  PA
Clia Regina Pereira do Nascimento  Unicamp  SP
Eloisa Helena Santos  UFMG  MG
Eugenio Maria de Frana Ramos  UNESP Rio Claro  SP
Giuliete Aymard Ramos Siqueira  SP
Lia Vargas Tiriba  UFF  RJ
Lucillo de Souza Junior  UFES  ES
Luiz Antnio Ferreira  PUC-SP
Maria Aparecida de Mello  UFSCar  SP
Maria Conceio Almeida Vasconcelos  UFS  SP
Maria Mrcia Murta  UNB  DF
Maria Nezilda Culti  UEM  PR
Ocsana Sonia Danylyk  UPF  RS
Osmar S Pontes Jnior  UFC  CE
Ricardo Alvarez  Fundao Santo Andr  SP
Rita de Cssia Pacheco Gonalves  UDESC  SC
Selva Guimares Fonseca  UFU  MG
Vera Cecilia Achatkin  PUC-SP
Equipe editorial
Preparao, edio e adaptao de texto:
Editora Pgina Viva
Reviso:
Ivana Alves Costa, Marilu Tassetto,
Mnica Rodrigues de Lima,
Sandra Regina de Souza e Solange Scattolini
Edio de arte, diagramao e projeto grfico:
A+ Desenho Grfico e Comunicao
Pesquisa iconogrfica e direitos autorais:
Companhia da Memria
Fotografias no creditadas:
iStockphoto.com
Apoio
Editora Casa Amarela
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro. SP, Brasil)
Globalizao e trabalho / [coordenao do projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu, Diogo Joel Demarco,
Luna Kalil]. -- So Paulo : Unitrabalho-Fundao
Interuniversitria de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho ;
Braslia, DF : Ministrio da Educao. SECAD-Secretraria de
Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade, 2007,
-- (Coleo Cadernos de EJA)
Vrios colaboradores.
Bibliografia.
ISBN 85-296-0058-4 (Unitrabalho)
ISBN 978-85-296-0058-1 (Unitrabalho)
1. Globalizao 2. Livros-texto (Ensino Fundamental)
3. Trabalho I. Mazzeu, Francisco Jos Carvalho.
II. Demarco, Diogo Joel. \III. Kalil, Luna. IV. Srie.
07-0403 CDD-372.19
ndices para catlogo sistemtico:
1. Ensino integrado : Livros-texto :
Ensino fundamental 372.19
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